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N O T Í C I A S
B R E V E S
Nova estação sismológica on-line
Mais uma
estação sismológica do Instituto Dom Luis foi ligada à rede IRIS. A partir
de agora os dados adquiridos podem ser obtidos on-line de forma aberta pela
comunidade científica.
Veja aqui.
Seminários 2010
Durante o ano de 2010 estão já programados seis seminários com a presença de
alguns dos mais relevantes cientistas envolvidos na modelação de processos
do sistema terrestre:
February 18, A. Jackson (ETH
Zurich). The Earth's core and magnetic field. [abstract]
March 18, C. Jaupart (IPGP, Paris).
How volcanoes work ? A physical perspective.
April 22, B. Hoskins (Imperial College). Cutting edge
climate change research
April 29, P. Tackley (ETH Zurich). The dynamics and
evolution of the Earth and other planets.
May 20, J. P. Burg (ETH Zurich). The evolution of Alpine/Himalayan
type orogens.
June 24, F. Albarède (ENS Lyon). Recent advances in the
understanding of the presence water on Earth and other planets.
Réplica M6.1 no Haiti registada no IDL
Às 6:03 do dia 20 de Janeiro de
2010, uma nova réplica com elevada magnitude e epicentro a cerca de 60 km de
Port-au-Prince abalou de novo a capital do Haiti. Os registos obtidos na
rede sismológica do IDL encontram na figura seguinte:

Sismo M7 no Haiti afecta 3 milhões
O acontecimento:
Às 16:53 do dia 12 de Janeiro de 2010, um sismo de magnitude 7.0 atingiu
a capital do Haiti, Port-au-Prince. As intensidades máximas na capital e
nas cidades de Carrefour e Delmas atingiram valores entre VIII e IX,
destruindo uma fracção importante da construção e causando um número de
vítimas ainda incerto, mas superior a 50 000. Na mesma estrutura
geológica, um sismo de magnitude ligeiramente inferior (6.7) tinha
atingido a República Dominicana no dia 24 de Junho de 1984, com
intensidades reportadas de VII em áreas urbanas, mas causando apenas
cinco vítimas.
A placa das Caraíbas:
A dinâmica da placa das Caraíbas está fortemente dependente da sua
interacção com quatro grandes placas litosféricas: Norte-americana,
Sul-americana, Nazca e Cocos. Estas fronteiras estão marcadas por
processos de subdução, gerando uma morfologia caracterizada por fossas
submarinas profundas e arcos vulcânicos. Ao longo da fronteira norte da
placa a placa norte-americana move-se com uma velocidade relativa de
cerca de 20 mm/ano para oeste gerando grandes falhas em desligamento
como a de Motágua, na Guatemala; mais a este a placa Cocos mergulha sob
a placa das Caraíbas a uma velocidade aproximada de 80 mm/ano, dando
origem à fossa do Porto Rico.

A fonte do sismo do Haiti: O sismo de 12 de Janeiro
correspondeu ao rompimento de um segmento com cerca de 50/60-km de uma
grande falha, com mais de 500 km de extensão, denominada falha
Enriquillo-Plantain Garden. Esta falha atravessa toda a ilha de
Hispaniola, onde se localizam o Haiti (a oeste) e a Republica Dominicana
(a este), sendo reconhecida desde o Lago Enriquillo, na República
Dominicana, até ao rio Plaintain Garden, na Jamaica, acomodando cerca de
21 mm/ano de movimento diferencial. Alguns investigadores consideram que
esta falha delimita, em conjunto com a falha setentrional, a norte do
Haiti, uma microplaca que denominam Gonave, em processo de agregação
progressiva à Placa Norte-Americana. Na figura seguinte apresenta-se a
série de rupturas ao longo da falha:

Os factores que amplificaram o impacto: Têm sido
apontados três factores decisivos para o enorme impacto deste sismo. O
primeiro é a pequena distância entre a região de ruptura e
Port-au-Prince, cerca de 20 km. A segunda é a pequena profundidade
epicentral (10-15 km). A terceira é a insuficiente qualidade da
construção. Os dois primeiros factores geraram fortes acelerações (e
velocidades) no movimento do solo. A não utilização de normas
anti-sísmicas na construção, muita dela informal, leva ao colapso
estrutural que por sua vez causa um número muito elevado de vítimas.
Este tipo de fenómenos pode ocorrer em Portugal? Sim. A
história da sismicidade portuguesa comporta vários exemplos de sismos de
magnitude comparável ao do Haiti, perto de zonas urbanas. È este o caso
dos sismos de 1531 e 1909, ambos na região de Lisboa e cujas magnitudes
se situam na gama 6-7. Apesar de a sismicidade ser actualmente muito
reduzida na região do Tejo, e de o movimento relativo interplaca
Eurasia-Núbia ser bastante inferior na região ibérica (cerca de 4-5
mm/a), quer a evidência geológica e geofísica quer a sismicidade
histórica apontam para a sua inevitável repetição, nestes ou noutros
segmentos da mesma região sismogenética. O sismo de 1531 destruiu cerca
de 1/3 do património construído de Lisboa.
O sismo foi
registado nas estações do Instituto Dom Luiz. Apesar da grande
distância que separa o epicentro do sismo de Portugal, a energia
libertada propaga-se pela Terra e pode ser observada em todo o planeta.
Os dados das estações sismológicas mantidas pelo Instituto são
disponibilizados de forma aberta através da
rede global IRIS.
Registo da chegada das ondas sísmicas às estações do
I.G.I.D.L (MORF - Marmelete, Monchique;
MESJ - Messejana, Aljustrel;GGNV - I.G.I.D.L, Lisboa).

Magnitude: 7.0 Region: Haiti
Date: 2010, January 12 Time: 21:53:09
Location: 18.451°N, 72.445°W Depth: 10km
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